Não devemos aprender a esperar.
Devemos, sim,
esquecer as coisas esperadas.
Ainda que nos digam:
"espere-me, à hora tal, em tal jardim",
o jardim nos deve bastar.
Que a chegada daquilo
que nos fez esperar
seja algo normal naquele mundo,
como a morte de uma borboleta
ou a fuga de um lagarto nas pedras.
Se nada chega,
se ninguém aparece,
não notaremos a sua falta.
Referência:
CUNHA MELO, Alberto da. Lições tardias. In: ______. O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006. p. 223.
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