Há uma composição de Maria Bethânia, em seu “Oásis”, que, em se tratando de uma “carta”, pressupõe recado: esteira sobre a qual, comumente, o ato comunicativo se estabelece; e, por isto, soa-nos familiar. Como não acompanhar, com entusiasmo, por exemplo, seus versos mais recorrentes “não mexe comigo [por] que eu não ando só”; se se valida, ainda em tempo, a proporção de um desafeto para cada dois afetos, na vida de qualquer pessoa? Eu mesmo pensei em algumas estampas:
“Não mexe comigo que eu não ando só / [...] Não misturo, não me dobro [...] / [...] Medo não me alcança, no deserto me acho, / faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo / [...] Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão / E pra onde você for não leva o meu nome não / [...] O que é teu já tá guardado / Não sou eu que vou lhe dar / [...] Eu posso engolir você só pra cuspir depois, / Minha forma é matéria que você não alcança / [...] Sou como a haste fina que qualquer brisa verga / Mas, nenhuma espada corta [...].”
Entretanto, há de se ter “[...] Jesus, Maria e José, todos os pajés em [...] companhia [...]”. Pois, nada é mais forte do que “o menino Deus [...] [brincando e dormindo] nos [...] [nossos] sonhos”; e, uma carta, é sempre de “amor”.
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