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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Morre-se de Brasil, também

Dizia, um de meus professores prediletos, ter morrido, Lima Barreto, de Brasil. Ao que, desde então, tenho tentado verificá-la, essa tese, (re)descobrindo tal autor, um/o "fora da curva", na perspectiva de Schwarcz. Muito recentemente, inclusive, através de "Sátiras e outras subversões: textos inéditos" – obra póstuma, organizada por Felipe Botelho Corrêa, de cujos textos destaco "Providências governamentais":

“A reunião do ministério foi naquele dia secreta, isto é, não foi anunciada nos jornais. Especialmente convidados, compareceram também, com o informante, o prefeito de polícia e o inspetor dos detetives (aguazil-mor).
El-Rey Pechisbeque abriu a sessão fazendo um gesto de quem ia colher o manto de arminho, crivado de abelhas merovíngias, e depositou em cima da mesa uma magnífica “Santa Luzia” de cinco olhos, todos eles com incrustações de marfim e ouro. Era o seu cetro característico de Carlos Magno com que figurava os seus retratos pululantes.”

O desfecho dessa história parece prenunciar o nosso próprio desfecho, enquanto país.

Referência:

BARRETO, Lima. Providências governamentais. In: ______. Sátiras e outras subversões: textos inéditos. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2016. p. 86-88.

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