Um perigo, penso eu, defender a tese de que “A literatura [ou] é apresentada na escola como velha, chata e obrigatória” ou, simplesmente, não é apresentada. Primeiro, porque precisamos nos perguntar: qual literatura, em que escola, e por quê? Modos são sempre vários, alguns coincidentes – para o bem ou para o mal; neste caso, favorecedores da formação de um leitor literário que oscila entre o comum e o incomum. Segundo, devido à singularidade do trabalho de resposta a essas perguntas, que, se levado a sério, opõe-se, invariavelmente, à indução de ideias generalizantes como a que se coloca. A partir de minha experiência enquanto professor de Língua Portuguesa, nos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, por exemplo, percebo outros obstáculos, e impostos a um empreendimento anterior ao do letramento literário: o da formação leitora e escritora do sujeito, que, às vezes, ou na maioria delas, não se sabe sócio-histórico-cultural. A começar por aqui, por essa constatação, talvez o nosso trabalho seja mais fundo.
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