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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ler e escrever (literatura)

Especialmente, aos professores que assumem essa lida

Acredito mesmo na leitura e na escrita enquanto metonímias da inclinação do sujeito sócio-histórico-cultural à interpretação de si e do mundo, e de sua urgência em transformar a ambos. Numa interdependência que se sabe relativa, quando da associação do exercício escritor ao leitor. E, por isso, na ação docente para favorecer esses dois movimentos sem, no entanto, distanciá-los. Agradecendo, é claro, a Gustavo Bernardo, por tais lições, sobretudo em “Ler é preciso assim como ser livre é preciso” e “Espelho”. É sua a crença, por exemplo, de que os livros nos servem principalmente como espelho; entregando-nos um vazio abissal, a partir do qual, cada um, ao seu modo, busca preenchê-lo. Pois, como nos adverte, “Dizem que as perguntas fundamentais são quatro. Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Afinal de contas, o que estou fazendo aqui?” (BERNARDO, 2010). Ao menos, para que não se precise fazer elogio à superficialidade. Porque, sim, “[...] somos condenados à leitura.” (BERNARDO, 2002). Digo, por extensão, que literatura, o seu estudo, a sua leitura, tem que arder. Concordam?

Sobre o segundo texto, a propósito, lancei esses desafios aos meus alunos da 3ª série do Ensino Médio, aguardando ansiosamente por sua resposta:
  1. Se irrespondíveis como sugere Gustavo Bernardo, as quatro perguntas fundamentais à existência humana justificam-se de que modo? Demonstre.
  2. O que experimentariam aqueles obstinados em respondê-las, na perspectiva do autor? Explique.
  3. Como você responderia a cada uma delas?
  4. Esclareça a metáfora do espelho nesse contexto. Para isso, considere a seguinte passagem: “O primeiro livro que a gente lê é um dos primeiros espelhos”.
  5. “Ler é um movimento externamente passivo [...]. Escrever, por sua vez, [...] ativo [...]”. Justifique, discutindo a relação entre leitura e escrita apontada pelo autor.
  6. Segundo Gustavo Bernardo, o que leva as pessoas a ler e a escrever? Quais os benefícios desses esforços e por que se pode afirmar como sua direção a do espelho? Problematize.
  7. As concepções de leitura e de escrita defendidas no texto sob análise coincidem com aquelas por você formuladas ao longo de sua escolarização? Compare-as.
  8. Ler para entender o mundo e escrever para transformá-lo: assim você o faz? Analise.


Referência:

BERNARDO, Gustavo. Ler é preciso assim como ser livre é preciso. In: SERRA, Elizabeth D’Angelo (Org.). Ler é preciso. São Paulo: Global, 2002. p. 131-137.

______. Ato: espelho. In: ______. Redação inquieta. São Paulo: Rocco, 2010.

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