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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Quem diz a literatura

Revela-me, o Instituto Camões, estar lendo, Sophia de Mello Breyner Andresen, um fragmento de sua Arte Poética [III], texto divulgado pela autora em “11 de julho de 1964, no almoço de homenagem promovido pela Sociedade Portuguesa de escritores, por ocasião da entrega do grande Prêmio de Poesia, atribuído a ‘Livro Sexto’” – inclusive, de fácil localização na Internet. Embora o vídeo, pelo que se confirma no CINEPT – Cinema Português, seja um trecho de um curta-metragem de 17 min, produzido em 1969 por João César Monteiro, e estreado em 1972. De todo modo, vale o compartilhamento.

Sobretudo por uma passagem que me prova precisarem, sim, os nossos alunos, de nossa ajuda, seus professores de língua portuguesa (e literatura), para olhar esse mar (a poesia, a arte) que ainda não “conhecem” – tal como Diego de seu pai, Santiago Kovadloff, nas palavras que Eduardo Galeano registra n’O livro dos abraços como “A função da arte/1”. Ei-la:

A coisa mais antiga de que me lembro [...] [não] era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. [...]. [...] faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida [a obra de arte]. [...]. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor. E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética. [...]. Esta lógica é íntima, interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. [...]. Eis-nos aqui reunidos [...].

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